10 perguntas para responder antes de criar sua própria empresa

Conheço bastante gente que sente o maior medo de abrir a sua própria empresa, ou melhor, deixar o emprego e lançar-se no mundo do empreendedorismo à frente do seu negócio do zero. A boa notícia é que já fiz parte desse grupo de pessoas até descobrir que o medo nada mais é do que o fruto do desconhecimento sobre determinado assunto. Quando pretendemos abrir a nossa própria empresa, precisamos antes saber responder com clareza algumas perguntas para dar o pontapé inicial com confiança. O restante do processo, pós abertura e concretização da empresa, vem com o tempo e com a experiência ganha após esse pontapé inicial.

Para escrever as dicas abaixo, relembrei várias épocas da minha vida onde era empregado e empreendi sem sucesso para levantar quais as melhores questões que, se eu tivesse clareza das suas respostas, teriam evitado a minha falência tantas e tantas vezes.

1. Estou feliz trabalhando na minha profissão atual?
A primeira coisa a checar antes de dar o primeiro passo e abrir a sua própria empresa é compreender se a sua profissão atual te faz feliz. Se ela trouxer felicidade para a sua vida, você já pode ter aí um norte do que irá fazer após abrir a sua própria empresa. Porém, se a sua profissão não interfere em nada na sua felicidade, você precisa antes de abrir a sua própria empresa, definir qual será a sua nova profissão. Talvez você já tenha alguma idéia, mas se não tiver, peça apoio aos seus amigos, familiares e até contrate algum profissional que trabalhe com orientação vocacional e direcionamento de carreira, pois de nada irá adiantar abrir a sua própria empresa desempenhando uma profissão que você não deseja mais.

2. Estou feliz trabalhando no meu emprego atual?
Às vezes não existe nada de errado na nossa profissão e tampouco em trabalharmos como empregados dentro de uma outra empresa. A nossa insatisfação e infelicidade podem estar simplesmente ligadas ao emprego, à empresa onde trabalhamos, e não a situação de sermos empregados. Já conversei com pessoas que trocaram de emprego e se realizaram profissionalmente mesmo não criando suas próprias empresas. Verifique, antes de criar a sua própria empresa, se o problema é o emprego ou o ser empregado.

3. A minha empresa venderá produtos ou serviços?
É claro que sendo empregado, trabalhamos vendendo serviços (nossas horas), mas é uma boa sacada enxergar a possibilidade de vender produtos ao invés de serviços. Ambos tem os seus prós e contras, mas se eu puder nomear um dos benefícios dos produtos (principalmente os virtuais como sistemas de informática, e-books, vídeo-aulas, etc.) é que você trabalha uma vez e depois fica com uma renda passiva trabalhando indefinidamente para você. Já no caso dos serviços, o ideal é que você crie um modelo de negócios para entrega dos serviços que sua nova empresa pretende oferecer empenhando-se em criar um ambiente de delegação de tarefas sustentável para manter a sua empresa funcionando e crescendo enquanto você sobe nas diferentes funções da sua própria empresa. Se no início você ocupa todos os postos de trabalho, no futuro o seu posto de trabalho será cada vez mais específico para conduzir melhor a equipe da sua empresa na direção do sucesso.

4. Qual o problema que a minha empresa irá resolver?
Muitos pré-empreendedores se preocupam com a sua “brilhante idéia” de negócio antes de pensarem em quais problemas suas empresas irão realmente resolver. Primeiro devemos encontrar o nosso nicho de mercado problemático antes de criarmos uma solução. Devemos mergulhar no mundinho desse público, enxergar como eles se comportam e quais as suas necessidades e aí nos aproveitarmos dessas brechas para montar ali a nossa empresa que começará pequena atendendo a um ou outro cliente para crescer refinando o que faz com base no aprendizado que obteve destes clientes.

5. Consigo trabalhar em tempo parcial para galgar os primeiros passos?
É muito arriscado para quem passou a maior parte da sua vida profissional sendo empregado, se arriscar de uma hora para outra como empreendedor no cada vez mais competitivo mercado de trabalho atual. Porém, na maioria das vezes, como damos o primeiro pontapé sozinhos, é bem possível criarmos a nossa empresa e trabalharmos para os primeiros clientes em tempo parcial. Seja vendendo produtos ou serviços, com poucos clientes e com a mobilidade que temos atualmente com as novas tecnologias de comunicação, é bem provável que consigamos com poucas horas diárias de investimento, levantar os primeiros tijolos da nossa recém-criada empresa. Criar essa possibilidade pode ser um diferencial que trará mais confiança para o que a sua empresa estará vendendo.

6. Quanto dinheiro eu preciso para me sustentar com a minha própria empresa?
O conceito de Lean Startup está aí para quem quiser mais informações sobre como criar uma empresa com baixo custo, além, é claro do meu livro Marco Zero que trata do mesmo tema à venda na Loja do Insistidor. Segundo esse conceito, vale à pena você criar um negócio para primeiro sustentar a si mesmo para depois ir galgando passos maiores. Primeiro porque desta forma você pode testar o mercado que está procurando atender, e segundo porque assim você corre menos riscos, diminui suas expectativas e também a sua ansiedade de fazer o negócio funcionar de uma hora para outra rendendo dinheiro. Um ótimo blog para ler sobre o assunto é o Manual da Startup do Eric Santos que também deu uma entrevista bacana sobre o assunto no vídeo blog Man in the Arena.

7. Eu tenho algum dinheiro guardado para me sustentar por um tempo?
Sou extremamente contra qualquer situação de conforto. O conforto acaba nos tirando um pouco da criatividade que é gerada pela necessidade de ter que fazer dinheiro para se sustentar, porém, vale muito à pena guardar um pouco de dinheiro para os primeiros meses de negócio. Algo como se sustentar pelos primeiros dois meses ou então pagar algumas contas adiantadas da casa para ter de ter menos dinheiro guardado assim que abrirmos a empresa é algo bastante saudável. Ter um pouco de dinheiro guardado não tira a corda do seu pescoço, mas também não a deixa muito apertada.

8. Eu sei vender?
É imprescindível saber vender. Se você nunca vendeu nada, é melhor aprender isso antes de começar a sua própria empresa. Quando digo para você aprender a vender não estou dizendo para fazer um curso de formação de vendedores de um final de semana. Estou lhe recomendando que venda alguma coisa mesmo. Venda algo que tem em casa e não usa mais, produtos de venda direta, horas de consultoria do seu serviço, qualquer coisa. O importante é praticar a “cara de pau” do vendedor e a argumentação de um bom negociador para fechar a venda. Tome consciência de que para manter uma empresa funcionando é preciso vender sempre e não somente saber entregar o serviço. Você pode ser um bom técnico ou administrador, mas se não souber vender não vai convencer nem sequer a sua família de que está tomando as melhores decisões.

9. Eu sou ético?
Problemas acontecem com todas as empresas, clientes e fornecedores, mas o mais importante será a atitude da sua empresa frente a esses problemas. Assim, ter ética é uma das principais qualidades que todos os clientes prezam nos seus fornecedores, pois é a ética que dará mais segurança aos seus clientes. Logo, pagar seus impostos em dia, seus fornecedores e também seus funcionários é uma prática tão imprescindível quanto entregar aquilo que prometeu exatamente da forma como está no contrato que a sua empresa assinou com os seus clientes. Valorize-se e valorize os outros através da ética.

10. Confio em mim mesmo?
A mais importante resposta é a desta pergunta. Se você não confia em si mesmo e não acredita que pode resistir ao campo de batalha empreendedor, volte na primeira pergunta para começar a responder tudo novamente. Mais do que nunca, como empreendedor solo, você precisa ter confiança no seu taco, saber quais são os seus limites e identificar quais são suas melhores habilidades para progredir. Essa confiança em si mesmo é o maior bem que podemos cultivar, pois em vários momentos seremos confrontados pelas dificuldades e somente essa confiança é que nos manterá firmes no caminho que decidimos.

Mais alguma pergunta que esqueci?

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Sobre Marcos Rezende

Marcos Rezende é criador e principal editor do portal Negócio do Zero, além de ser também professor e orientador de empreendedores no Curso Online de Criação de Negócios do Zero voltado para quem deseja abrir o seu próprio negócio sem colocar em risco a segurança da sua família e de suas reservas financeiras.