7 brasileiros “desconhecidos” que construíram um império começando de baixo



É muito comum ouvirmos que no Brasil as coisas são difíceis.

Desde que nasci, em 1979, sempre vi meus pais passando por dificuldades com a alta inflação daquela época acompanhada da troca incessante de moedas e a falta de empregos.



35 anos depois os mesmos rumores de crise e falta de instabilidade continuam presentes no país mesmo que naquela ou nesta época pessoas continuem abrindo empresas, gerando empregos e enriquecendo.

O que acontece com o brasileiro que ao invés de buscar soluções só vê problemas?

Compreendo que o nosso sistema político ou a nossa economia não seja exemplo para o mundo, mas quero chamar a atenção de você que deseja empreender e que não o faz por medo das crises, para o fato de que desde a época mais remota até os dias de hoje, pessoas contrariam o senso comum para abrirem seus negócios independente dos prognósticos dados pela economia ou pela política.

Não foi porque o Plano Real começou a vigorar em 1994 que meu negócio de digitação de apostilas e trabalhos escolares foi por água abaixo.

Assim como também não foi porque o real começou a se desvaloriza após a crise russa de 1998 que meu negócio vendendo software para controle de empresas de ônibus fracassou.

E tampouco resolvi encerrar as atividades da minha empresa de criação de sites em 2012 porque a Venezuela aderiu ao Mercosul ou haviam rumores de fim do mundo.



Quem tiver vontade de empreender, mas estiver temendo crises, deve ter em mente, primeiramente, que seja qual for a desculpa para não empreender, sempre será uma desculpa.

Se os “desconhecidos” da lista a seguir tivessem pensando em crise econômica, política ou pessoal, não teriam criado empresas, hospitais, companhias aéreas, etc.

Tire suas próprias lições das histórias que vou lhe contar a seguir.

“A maioria das pessoas só aprende as lições da vida, depois que a mão dura do destino lhe toca no ombro.” ~ Napoleon Hill (Tweet Isso)

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Edson Bueno

Nasceu na cidade de Guarantã, interior de São Paulo. Com 5 anos de idade perdeu o pai e teve que trabalhar desde pequeno como engraxate para ajudar a família. Sua mãe era dona de casa e seu padrasto era caminhoneiro. Com dificuldades na escola, repetiu a quarta série quatro vezes.

Sua vida começou a mudar quando sofreu um acidente e foi atendido pelo único médico da cidade. Se encantou pela profissão e, lutando contra todas as dificuldades se formou em medicina.

Anos mais tarde se encantou pela profissão de médico em que se formou para ter o seu primeiro emprego no Hospital São José, em Duque de Caxias (RJ). O hospital era pobre e frequentemente deixava de pagar os salários dos seus empregados.

Resolveu tornar-se sócio do hospital então e formou o embrião da Amil que atualmente é uma das maiores operadoras de planos de saúde do país.



“A vida é para quem topa qualquer parada. Não para quem para em qualquer topada.” ~ Bob Marley (Tweet Isso)

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Sérgio Amoroso

Teve seu primeiro emprego aos 11 anos de idade trabalhando como assistente de almoxarifado em uma fábrica de calçados na cidade de Birigui (SP), pois seus pais haviam se mudado para a cidade, após sua pequena propriedade rural ter falido.

Sete anos mais tarde, se mudou para a São Paulo em busca de novas oportunidades onde dividiu o apartamento com alguns conhecidos, conseguindo sobreviver por oito meses até que o dinheiro acabou.

Passou fome vários dias até encontrar um emprego numa fábrica de embalagens de papelão onde cresceu na profissão até que a companhia pediu concordata abatida pela crise econômica que sacudia o Brasil no início dos anos 80.

Em 1981, ele e alguns sócios alugaram um galpão na Zona Leste de São Paulo e montaram sua própria fábrica dando início ao Grupo Orsa, um dos maiores produtores de papel e celulose do país que faturou 378 milhões de dólares em somente em 2009, segundo a edição especial das Melhores e Maiores da Revista EXAME.

“Aprenda como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer amanhã.” ~ Gandhi (Tweet Isso)

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Marco Franzato

Até os 16 anos, havia cursado apenas o ensino fundamental. Sua principal ocupação era ser boia-fria, colhendo café no interior do Paraná ao lado do pai até que uma forte geada destruiu as lavouras da região, fazendo com que a família se mudasse para Cianorte em busca de emprego.

Conseguiu com o padrinho uma vaga como ajudante em um escritório de contabilidade para que depois de voltar aos estudos, já casado, decidisse abrir a Morena Rosa, empresa que hoje fatura 200 milhões de reais, com ajuda da mulher e de alguns amigos, apostando no seu tino como administrador, no bom gosto da esposa e nas habilidades da cunhada, que era modelista.

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” ~ Oscar Wilde (Tweet Isso)

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Rolim Amaro

Para conseguir conquistar o seu sonho e adquirir o brevê de piloto, Rolim Amaro abandonou o curso de contabilidade e se mudou para Catanduva (SP) onde, para bancar as horas de voo necessárias à habilitação, foi mecânico de automóveis, limpou aviões no aeroclube local e trabalhou como taxista.

Conquistou seu brevê com 18 anos e tornou-se piloto de táxi aéreo. No final de 1963, foi contratado pela Transportes Aéreos Marília, uma empresa de táxi aéreo fundada por alguns pilotos e que operava aviões Cessna – os populares teco-tecos.

Anos depois, Amaro comprou a empresa e a transformou no embrião da TAM, hoje uma das maiores companhias aérea do país.

“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.” ~ Sigmund Freud (Tweet Isso)

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Raul Randon

De família humilde, Raul Randon, já cultivava a terra com os avós aos 11 anos. Aos 14, fabricava machados, enxadas e outras ferramentas com o pai e estudava à noite. Avesso à escola, desistiu dos estudos sem completar o ensino primário. Aos 18, foi para o quartel e quando voltou, o irmão mais velho, Hercílio, que fazia um estágio em uma empresa a 4 quilômetros de casa, sem remuneração, havia aprendido a montar motores à explosão e, na oficina do pai, fazia serviço de reforma de motores. Projeto a que Raul se incorporou.

Um ano depois, com um amigo do irmão, formaram uma sociedade para fazer máquinas impressoras. Foram apenas 12 máquinas fabricadas, porque um incêndio destruiu a oficina e eles ficaram sem nada.

Não desanimaram e voltaram à reforma de motores na oficina de manutenção de uma fábrica de tecidos, enquanto construíam o pavilhão para instalar a própria oficina. Em 1953, um amigo lhes apresentou o italiano Antonio Primo Fontebasso que lhes deu a ideia de fabricar freios a ar para reboques.

Foi assim que a Mecânica Randon surgiu 60 anos atrás para hoje figurar entre as maiores empresas privadas brasileiras, possuindo a liderança na maior parte dos segmentos de atuação, além de fazer parte do Nível 1 de Governança Corporativa da Bovespa.

“Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” ~ Sócrates (Tweet Isso)

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João Carlos Paes Mendonça

Nascido na Serra do Machado, em Ribeirópolis, interior de Sergipe, começou ajudando seu pai, dono de uma pequena mercearia, em 1935. O negócio cresceu a tal ponto que João Carlos resolveu levar as atividades da família para Pernambuco.

Aos 26 anos, o então dono de mercearia, João Carlos, inaugurou em 1966 a primeira loja da rede de supermercados Bompreço, no bairro de Casa Amarela. A inauguração representou uma inovação no setor e a partir da década de 70, a rede começou a se expandir com novas lojas em Boa Viagem, João Pessoa (PB) e Maceió (AL). Em 81, o Bompreço chegou aos estados do Pará, Espírito Santo e São Paulo.

Em 1982 foi lançado o Hipercard, cartão de crédito que nasceu com a finalidade de diminuir o volume de cheques e fidelizar os clientes. A financeira ultrapassou os caixas do Bompreço e hoje é administrada por um banco privado.

“Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.” ~ Martin Luther King (Tweet Isso)

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Luiza Helena Trajano

Talvez a mais conhecida deste grupo, Luiza começou a trabalhar com 12 anos como balconista na Magazine Luiza, loja criada pelos seus tios, Luiza e Pelegrino Donato. Passou por diversos cargos até assumir a direção da empresa.

Sempre mostrou ser muito competente e em 1992, antes mesmo da internet chegar ao grande público, ela desenvolveu o conceito de “lojas virtuais”, iniciativa que permitiu a chegada da rede a locais onde ela ainda não tinha presença física – inclusive a São Paulo, o maior centro consumidor do País.

A Magazine Luiza é citada como exemplo em gestão humana que foi objeto de estudo pela Harvard Business School (EUA) como caso de sucesso empresarial, além de ser eleita por diversos anos a melhor empresa para se trabalhar pelo Great Place do Work/Revista Exame.

“Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la.” ~ Augusto Cury (Tweet Isso)

Conclusão

Não é fácil pra ninguém.

Empreender é se sacrificar pelo exercício de contrariar as estatísticas e ser alguém melhor do que ontem todos os dias. Todos.

Caem dívidas, filhos e responsabilidades no seu colo que você aprende a aceitar e a trabalhar para dar cabo de cada uma delas.

“Só água na geladeira e eu querendo salvar o mundo” ~ Emicida (Tweet Isso)

Que a história de perseverança desses “desconhecidos” possam ligar alguma válvula, engrenagem ou botão dentro de você e o faça assumir esta responsabilidade que está na sua alma, mas que você ainda não permitiu chegar até o seu corpo e as suas ações.

Você não precisa salvar o mundo, basta salvar a si mesmo tornando-se aquilo que você nasceu para ser.



19 Comentários

  1. Venho percebendo Marcos. A primeira fase é a do medo. Esse medo pode ser fundamentado numa infância difícil quando os tempos eram ruins, não gostaríamos de retornar a tal fase. Mas a ideia permanece. Todos os dias o cara pensa : mas como fazer isso sem correr riscos?. Aí um certo dia ele descobre que nâo há como eliminar os riscos apenas controlar. Quando ele aprender a tomar decisões de riscos controlados ele está pronto. O que acha?

    • Perfeito. Empreender é controlar e assumir alguns riscos.

      Você pode por exemplo ter uma certa quantia no bolso que assume o risco de perdê-la caso tudo dê errado OU assumir o risco de que não dando certo o negócio, você pode vender os equipamentos que comprou e recuperar parte do que investiu.

      Empreender é isso. Quando começar qualquer negócio se fazer a pergunta: “Qual risco estou correndo aqui?” Posso perder X reais? Posso. Posso perder 1 mês na construção? Posso. Entre outras questões essa é a principal, porque assumindo o que você pode perder, você acaba vendo que pode ganhar muito mais, mesmo que somente em aprendizado.

      Quem empreende, nunca sai de mãos vazias.

      Vamos em frente e obrigado por comentar.

      • É verdade que empreender você corre um risco danado, porem se não correr este risco você não saberá se vai dar certo. Mas e quando você tem o negócio que sabe que da certo, e lhe falta o dinheiro para investimentos.
        Exemplo disso eu e meu marido, temos uma empresa na nossa imaginação, é claro que fazemos alguns trabalhos com ela do jeito que esta, mas precisamos de um investidor e não conseguimos, sonhamos mas só temos sonhos. E agora o que fazer, Se alguem se interessar kkkkkkkkk

  2. “O que acontece com o brasileiro que ao invés de buscar soluções só vê problemas?”

    Acredito que esta frase reflita todo o texto, Marcos. Acredito que todo empreendedor possua esta característica de focar as soluções e não os problemas pelo desejo de construir e realizar. Você, com seus textos e seu trabalho nos dá forças para continuarmos em busca de nosso caminho. Trabalho, sonhos, trabalho, sonhos… Seguimos lutando por nosso espaço. Tarefa árdua e exaustiva… Mas se os mercados mudam, devo dizer que os sonhos também. Obrigado, muitíssimo obrigado.

    • Obrigado Paulo pelo comentário.

      O sonho é uma meta ideal que está lá na frente.

      Vamos corrigindo o percurso conforme as adversidades se apresentam. lembra da metáfora do rio que contorna as pedras ao invés de tentar tirá-las do seu caminho? É por aí.

      Obrigado Paulo e continuemos sempre juntos.

  3. Inspirador Marcos,

    Vou me atentar mais ao caso da Random e de outros deste ramo, para me inspirar e propagar no meu modelo de negócio.

    • Isso aí Adriano. Grande parte dos textos que produto são para ajudar quem está comigo online no Negócio do Zero. Pesquise mais a respeito e você vai notar uma sincronicidade de acontecimentos e aproveitamento de oportunidades.

    • É isso aí. O fechamento resume o post todo. Não precisamos ser os novos “Rolim amaro” e “Luiza Trajano”, cá entre nós, o que eles fizeram são raras exceções e pouquíssimas pessoas atingem esse patamar de sucesso. O importante é termos aquela voz da consciência sempre nos dizendo que é isso que o seu dia deveria ter sido. E quanto mais dias assim, mais chances de nos tornarmos os “Rolim Amaro” de nós mesmos… O resto é consequência…

      • Putz! Se o meu fechamento foi bom o seu comentário completou de forma excelente Rafael! Obrigado. É bem isso. Devemos contribuir da nossa maneira com o mundo sem fraquejar.

  4. Marcos,

    Comecei a acompanhar o site e assistir os vídeos. Realmente muito inspirador ! O encerramento deste (principalmente quando fala em “assumir esta responsabilidade que está na sua alma”) foi perfeito.

    Muito agradecido ! Abraços.

  5. Estou passando por problemas de saude com minha maezinha.. precisava de um conteudo assim para entender que nao devo desanimar!

  6. muito inspirador com serteza
    ao inves de ficar reclamando vendo so coisas negativas, devemos erguer a cabeça e acreditar que e possivel ,
    devemos viver como se fosse morrer amanhã, buscando viver sempre de maneira positiva em todos os sentidos!!

    belo post.

    abs….

  7. Completamente inspirador!
    É aí que você percebe que, às vezes reclamamos das dificuldades que passamos, mas provavelmente este será o divisor de águas no qual você decidirá se continuará sendo apenas um(a) menino(a) mimado(a) com medo de tudo, ou uma pessoa que simplesmente age e transforma as difculdades em bênçãos para sua própria vida!

  8. É verdade que empreender você corre um risco danado, porem se não correr este risco você não saberá se vai dar certo. Mas e quando você tem o negócio que sabe que da certo, e lhe falta o dinheiro para investimentos.
    Exemplo disso eu e meu marido, temos uma empresa na nossa imaginação, é claro que fazemos alguns trabalhos com ela do jeito que esta, mas precisamos de um investidor e não conseguimos, sonhamos mas só temos sonhos. E agora o que fazer, Se alguem se interessar kkkkkkkkk

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