3 motivos para você não abrir uma empresa que não goste



Era quinta-feira à noite e chovia lá fora.

Olhando pela janela do oitavo andar, era possível ver a luz turva dos carros ainda presos no engarramento em direção aos bairros da cidade.



Pensativo e com uma xícara de café na mão para aguentar as próximas horas acordado, Paulo se apoiava na parede da sua sala para olhar melhor a paisagem de pedra.

Já passava das oito da noite e antes de voltar para a sua mesa, Paulo decidiu pegar o telefone e ligar para casa e falar com as crianças.

Conversa rápida, nada demais.

Perguntou sobre a escola, sobre o que haviam jantado e se despediu da sua esposa avisando que não demoraria muito para chegar.

Desligou o telefone, olhou para tela do computador e viu o último funcionário do escritório acenando para ele enquanto saía.

Já faziam seis anos que Paulo estava ali.



Praticamente do nada ele abriu sua própria empresa de consultoria e cliente a cliente conseguiu ser capaz de sustentar a família de quinze funcionários.

Paulo tinha orgulho disso.

Afinal tinha largado um emprego seguro para arriscar-se como empreendedor, indo contra a opinião de todas as pessoas que conhecia.

Família, amigos, colegas de trabalho, todos diziam que ele estava louco.

Apesar do orgulho pessoal que sentia pelo seu sucesso como empreendedor, Paulo percebia que alguma peça do quebra-cabeças da sua vida não estava encaixando direito.

Seus filhos estudavam em boas escolas. Sua família viajava pelo menos uma vez por ano para o exterior. Seus funcionários se mostravam satisfeitos com a empresa que ele havia montado.

Tudo parecia bem, mas faltava uma peça.

Voltando no tempo, pensativo, cotovelos sobre a mesa, mãos unidas e dedos entrelaçados como que em uma prece, Paulo apoiava a cabeça sobre as mãos olhando fixamente para o tampo da mesa cinza claro peguntando-se o que estava faltando.



Sua angústia o arrebatava.

Seu olhar se moveu para a tela do computador e retornou para o tampo da mesa vazio.

“O que está errado?” – Paulo perguntava a si mesmo. “O que está errado?”

“A felicidade é uma direção, não um destino” ~ Athena (Tweet Isso), uma menina de 13 anos, que escreveu esta mensagem no espelho do seu quarto antes de morrer de câncer.

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Não se torne refém do seu próprio negócio

Existem muitos empresários que estão na situação de Paulo.

Ganham um bom dinheiro à frente dos seus próprios negócios, mas se sentem angustiados com a vida que levam.

Eu mesmo já passei por situação semelhante.

Construí um negócio do zero com a minha cara, alguns funcionários onde eu ganhava bem, mas era refém do meu próprio negócio.

Focado no destino da viagem, tanto eu como Paulo, decidimos distribuir para outras pessoas o conhecimento que nós tínhamos acerca de um determinado assunto.

Conseguimos atingir o destino, mas nos tornamos reféns das circunstâncias que mantinham nossos negócios funcionando.

As razões que me fizeram “mudar de direção” são as mesmas que provavelmente motivarão Paulo a também mudar o seu rumo e espero que sirvam de bússola para você não fazer as mesmas escolhas que nós dois fizemos.

“O pensamento é escravo da vida, e a vida é o bobo do tempo.” ~ Shakespeare (Tweet Isso)

motivacao

Você não conseguirá manter o pique por muito tempo

Quando agente foca muito no destino, perde o prazer de aproveitar a viagem.

Você já percebeu que na primeira vez que percorremos um caminho, observamos melhor as coisas?

Olhamos para as casas, para os prédios, enxergamos uma árvore com flores diferentes e notamos pessoas nas calçadas, chegando a observar o que elas estão fazendo naquele momento em que passamos por elas.

Da segunda vez em diante, a nossa visão vai ficando mais “automática” e não nos atentamos mais aos detalhes do trajeto porque estamos com o foco voltado para o destino da viagem e não mais para a viagem em si.

De certa forma, à frente dos nossos negócios, não devemos nos prender aos resultados daquilo que fazemos, mas sim aquilo que fazemos para manter a chama da motivação acesa.

Quantas vezes eu não acordei dono do meu próprio negócio pensando: “Putz! Hoje tem tanto problema para resolver que eu não queria precisar trabalhar.”

“Ouse conquistar a si mesmo.” ~ Nietzche (Tweet Isso)

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Você não consegue construir um hábito

Sem pique, sem motivação, você não consegue construir um hábito, gerando insegurança para você, para seus clientes e consequentemente para a sua família.

Os hábitos são o alicerce de um negócio. Aliás, da construção da vida de qualquer um.

Perceba que qualquer negócio demora para se estabelecer no mercado porque as pessoas precisam confiar nele para poder realizar uma transação comercial.

Ao abrir um novo negócio, você precisa transmitir confiança para seus clientes e essa confiança só é possível transmitir quando você constrói um hábito.

Mas como construir um hábito se você não está satisfeito com o seu negócio?

Impossível.

Pode ser que você abra a sua loja todos os dias ou mantenha uma agenda de publicação de artigos no blog da sua empresa de forma constante durante um tempo, mas conforme os dias passam e a motivação cai, aquilo que você deveria fazer constantemente para transmitir confiança para seus clientes também vai se deteriorando.

“Nem toda mudança é crescimento; nem todo movimento é para frente.” ~ Ellen Glasgow (Tweet Isso)

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Você não consegue manter a empresa crescendo

Sem hábitos e motivação, de quê adianta crescer a empresa? Se ela crescer (você pensa) só aumentará a sua escravidão no negócio.

O seu coração precisa estar no seu negócio e não pode haver um pingo de insatisfação com ele da sua parte se você quiser realmente crescer.

Podem haver problemas, mas o seu gosto por resolvê-los tem que ser maior que o desgosto por recebê-los no seu negócio.

Desde que converti este blog em empresa e comecei a operá-lo tal qual uma startup, todos os nosso números crescem porque nos mantemos alinhados com o planejamento que estabelecemos.

Como gosto do que faço, faço sempre, transmito confiança, recebo apoio para continuar fazendo e mantenho a empresa crescendo.

“Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele.” ~ Buda (Tweet Isso)

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Alinhe o espírito com o negócio

Inicialmente, o empreendedor quer sustentar a si e a sua família com o seu negócio para depois sustentar a família dos seus colaboradores distribuindo em escala o serviço ou produto que entrega.

Estes são os passos fundamentais que o pré-empreendedor deseja e tem que percorrer. Nada além disso.

Mas para não se tornar um Paulo ou o Marcos de ontem, você precisa alinhar o seu espírito com o seu negócio para não esmorecer quando as muitas dificuldades triviais de qualquer negócio aparecerem no seu caminho.

Enfim, se você realmente quiser ter algo de sucesso que te gere prosperidade e felicidade, precisa antes encontrar a si mesmo no início desta viagem.

“Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.” ~ Sabedoria Oriental (Tweet Isso)