Empreendedorismo ostentação não agrega valor a sua carreira



Ostentar é o ato de exibir com vaidade e pompa, bens, direitos ou outra propriedade, normalmente fazendo referência à necessidade de mostrar luxo ou riqueza (fonte: Wikipédia). Ou seja, quem ostenta, avalia suas propriedades não pelo seu próprio olhar, mas pelo olhar das outras pessoas, adquirindo e se desfazendo de bens com base no que o mercado lhe diz como valioso ou não. Uma bela armadilha do sistema capitalista que tem como uma de suas metas principais formar a maior parte da sociedade como consumidores para a base da pirâmide. Assim, quando um cidadão consegue suprir suas necessidades mais básicas, ele volta seu olhar para a necessidade de provar a sua capacidade como cidadão capitalista através daquilo que possui, que conquistou. De forma alguma estou sugerindo que não devemos dar valor aos bens materiais. Pelo contrário, estou afirmando que devemos dar o devido valor aos bens, nem mais, nem menos.

No cenário atual do país, com maior poder aquisitivo, educação superficial e enorme quantidade de informação, percebo pessoas investindo tempo e dinheiro em “oportunidades” que prometem objetos de luxo como recompensa. Se já é errado empreender com o objetivo somente no dinheiro, mais errado ainda é empreender com o objetivo de ganhar dinheiro para esbanjar. Empreendedor que é empreender sabe que a fórmula para ganhar dinheiro consiste em ganhar dinheiro ao mesmo tempo que se economiza ou racionaliza seus gastos.



Em algum momento da sua carreira como empreendedor você atingirá o equilíbrio entre receitas e despesas e poderá viver tranquilo dos seus rendimentos, mas o “bicho carpinteiro” do desenvolvimento pessoal não lhe deixará em paz e te forçará a pensar no que fazer amanhã. Esse “bicho carpinteiro” age como aquela coceira que dá e não passa e que por mais que cocemos ela continua lá dando até prazer de ser coçada.

Ganhar na loteria pode pagar as suas dívidas, comprar uma nova casa, um novo carro e pagar algumas viagens internacionais, mas só o pensamento lúcido sobre si mesmo é que poderá lhe dar a liberdade que você tanto almeja para fazer o que bem entender da sua vida. Enquanto você ostentar seus bens, continuará preso ao que o mercado lhe diz como certo e não ao que você pensa como justo, deixando-o cada vez mais prisioneiro do sistema consumidor. Por conseguinte, a diferença entre você e alguém de menor poder aquisitivo será que você consome mais que ele, só isso, ambos estão na mesma posição servindo o sistema de consumo da mesma forma só que em diferentes proporções.

Sempre achei absurdo os clipes de hip hop americano vendendo uma riqueza material inatingível para a maioria das pessoas e fortalecendo o pensamento do consumidor que não ganha o salário dos grandes astros para comprar o que está na moda. Hoje temos o nosso funk ostentação e até pastor de igreja prometendo carro a fiéis, assim como também temos empresas vendendo oportunidades para empreender como um novo estilo de vida. Você consegue perceber a semelhança nestes casos? Em todos, temos a ostentação como isca para manter os distraídos na roda viva do consumo.

A chave para a liberdade

Existe algo que você pode fazer pela sua carreira, vai contra a ostentação e pode te garantir a liberdade: pensar.

Há algum tempo atrás eu não pensava, eu não refletia sobre o que estava fazendo. O dinheiro que ganhava era desperdiçado em alguma coisa da moda (evento ou objeto) para eu me sentir mais feliz e fazer as pessoas pensarem que eu havia conquistado algo e me tornado alguém. Foi dessa maneira que eu comprei um apartamento, carro e móveis financiados e casei pela primeira vez doze anos atrás, conseguindo ter as coisas que eu queria na hora que eu queria, por mais que essa decisão comprometesse meu futuro financeiro. Naquela época eu precisava de aprovação e foi isto que consegui ostentando minhas conquistas.  Ah! Se eu tivesse pensado…

O objetivo deste texto é te mostrar que empreender pelos motivos errados (ostentação e riqueza material) é perda de tempo que só lhe deixará mais distante da sua realização como empreendedor. Mesmo que você tenha 80 anos e só tenha percebido agora que foi vítima de uma domesticação humana que o formou consumidor, pode começar hoje a pensar sobre a sua vida e o que fazer com ela. Muitas pessoas se entristecem ao constatarem o fato de terem vivido distraídas durante um longo tempo das suas vidas, esquecendo-se totalmente que têm total poder para mudar suas vidas daqui para frente.



Invista no seu autoconhecimento, reflita sobre todas as suas decisões, desde as pequenas até as grandes e faça um plano para a sua carreira como empreendedor. Só aí, comece a pensar em investir seu tempo e dinheiro em algo. Ostentar definitivamente não agrega valor ao camarote (referência).



10 Comentários

  1. Cara, nao concordo com a sua opinião..

    Você prefere chegar aos 80 anos e não ter gastado a grana q você ganhou? Ou ter gastado na surdina, comprando coisas que ninguém poderia ver? Só para não correr o risco de se esbanjar… já que ostentar é exibir suas coisas.

    Na boa, a gnt nao leva nada pro caixão.. se um dia eu ganhar muita grana, quero eh gastar mesmo, afinal ganhei com meu suor…

    A questão não é ser escravo do capitalismo, eh aproveitar oq o capitalismo tem de bom.Se você não pode gastar seu dinheiro com o que você quer, você vai gastar com o que? hahah o que voce fala no texto não faz sentido nenhum… você só precisa saber como gastar e como fazer a grana render. Afinal, pra tudo tem um limite.

    • Gabriel, leia o texto de novo, por favor.

      A questão não é levar tudo para o caixão, mas sim gastar de forma racional, comprar coisas está ao alcance de qualquer é só assinar as folhas e levar o carnê para casa pronto.

      O que o Marcos colocou é a questão de gastar de forma racional, investir o dinheiro e comprar a vista depois de um certo tempo por exemplo.

      Leia novamente e reflita sobre seu comentário.

      Abraço

      • A questão não está em gastar ou não gastar. Dinheiro foi feito para gastar, e se ganho com trabalho deve nos trazer conforto e coisas boas. O que vejo no texto é termos equilíbrio. Com meus quase 50 anos de idade já percebi que tudo que o dinheiro pode comprar depois de um certo tempo cai no vazio, por que tudo o que traz significado na vida tem haver com nossas questões internas, que dizem respeito a relações humanas. Veja a sociedade consumista que vivemos, cada vez consumindo mais e mais embabacada e a depressão aumentando na humanidade, por que será? Ganhe muito dinheiro, tenha conforto, mas proporcione algo para aqueles que não tem oportunidade. Pena que levamos tempo para entender isso, pois só a maturidade traz o entendimento de certas coisas.

        • Obrigado pelos comentários.

          Parece que algumas pessoas não leram o texto, pois cismam em confundir ostentação com luxo.

          Temos que trabalhar para o nosso conforto e o da nossa família. Ponto. Quando estou em viagem, sempre prefiro alugar um carro do que pegar táxi ou ônibus, mas não faço isso por ostentação, faço porque é mais confortável para mim e se tenho como pagar, porque não me dar esse “luxo”? Entretanto, alugo um carro que cobre as minhas necessidades e não um mais caro para “mostrar” para os outros que pude alugá-lo.

          Primeiro devemos pensar no serviço que devemos fazer ou no problema que devemos corrigir no mundo. A partir daí pensar no modelo de negócio para irrigar o nosso trabalho e fazê-lo crescer ao máximo porque é este crescimento que refletirá o nosso bom trabalho.

          O que expus acima não é ostentação, é racionalidade, coerência de valores e visão de longo prazo. Espero que agora você compreenda Gabriel.

    • Gabriel, acho ótimo que vc exponha sua opinião, longe de mim querer te convencer do contrário, porém quando você diz “aproveitar o que o capitalismo têm de bom” eu te faço o contra-ponto : O que o capitalismo têm de bom? Sempre ouvi que todas as pessoas quando adquirem uma casa e um carro já tem 70% da vida feita. Eu já tive carro e casa e me sentia cada vez pior com a situação. Hoje eu posso te garantir que o que me faz feliz são coisas não proporcionadas pelo capitalismo. Hoje meu cachorro me alegra o dia e foi adotado, a programação do que assisto vêm da internet, tomo um café nos escritórios ou casas dos meus amigos sem ter que pagar nada porque o que vale é a conversa, faço exercícios no parque a qualquer hora e é de graça, quando como e sinto prazer comendo é a comida da minha mãe…..isso não quer dizer que podemos viver sem gastar dinheiro, muito menos indica que precisamos de iates, ferraris e mansões para sermos felizes. Quando vc diz gastar dinheiro com o que quer, deveria ser gastar seu dinheiro com o que vai te fazer feliz.

  2. Já ouvi de um grande mentor e empreendedor, “se você não é feliz com R$ 1 mil, não será feliz com R$ 1 milhão”.

    A felicidade não tem a ver com uma gorda conta bancária, tem a ver com as suas escolhas, o dinheiro é só óleo que diminui os atritos da vida, mas não necessariamente é indispensável.

    Gastar ou não gastar, é uma decisão pessoal, se para se sentir feliz a pessoa tem a necessidade de mostrar isso para outras, tudo bem, é escolha dela. “Coração é terra que ninguém pisa”.

    Uma coisa é certa, ou me parece óbvia, se sua felicidade depende de outra coisa além de você mesmo, nunca será feliz completamente, pois nesta engrenagem irá sempre faltar uma peça.

    Estou opinando porque hoje tenho dinheiro suficiente para viver esbanjando, uma vez ou outra troco meu Audi ou a minha BMW apenas para mostrar o meu status social aos que me cercam; isso não me faz feliz, apenas me dá um bobo prazer de jogar para todos algo como, “olha eu consegui, sou o cara”, o que racionalmente falando não me difere em nada de uma criança que chora alto para chamar a atenção dos outros.

    Todos buscamos um pote de ouro para sermos completamente felizes, eu encontrei o meu, porém quando vi mais de perto descobri que o pote estava pela metade, só depois de um bom tempo e olhando pra trás é que descobri que a outra metade eu fui deixando pelo caminho, abandonando aos poucos pessoas e coisas que eram como ouro pra mim…

    • Muito obrigado pelo comentário Ricardo. Desde que publiquei este post, muitas pessoas me criticam dizendo que o único objetivo do empreendedor é ganhar dinheiro quando não é. Nosso objetivo é solucionar um problema e gerar dinheiro através da solução com um modelo de negócios duradouro e sustentável.

      Brilhante a parte que disse: “se sua felicidade depende de outra coisa além de você mesmo, nunca será feliz completamente, pois nesta engrenagem irá sempre faltar uma peça.”

      Obrigado mais uma vez.

  3. Caro Marcos Rezende, eu compreendo e respeito a sua opinião em relação aos seus valores e motivações em empreender. Porém, estes não são compartilhados por todos da mesma forma e com o mesmo conteúdo.

    Penso que é sempre bom saber separar a moralidade e as opiniões e preferências pessoais daquilo que é lei jurídica, ou seja, o moral e o legal.

    Empreender licitamente, única ou principalmente, visando o lucro não é crime. É apenas mais uma motivação e/ou razão livre e lícita entre várias outras opções (lícitas e não licitas) dentro de uma economia de mercado democrática.

    Penso que o mais importante é o negócio ser lícito e lucrativo, ou seja, ser permitido por lei e apresentar resultados financeiros positivos. O resto são apenas variantes subjetivas e pessoais em qualquer negócio e/ou investimento. Simples e lógico.

    Como disse Adam Smith, o pai da economia: “Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta…é levado….a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade.”

    • Obrigado pelo comentário José, mas como o comentário anterior ao seu do Ricardo Bueno como seres humanos, estamos em busca da felicidade e o dinheiro é apenas uma parte dela. Se empreendermos somente com o foco no dinheiro e pior, na ostentação, estaremos cada vez mais distantes da felicidade e consequentemente não fazendo tão bem para a sociedade.

      E corrigindo Adam Smith, o bem-estar econômico é apenas uma das facetas do bem-estar que envolve também a autoaceitação, a sensação de se ter controle sobre o ambiente, de se viver uma vida cheia de sentido, uma busca de crescimento pessoal, relações sociais positivas e autonomia.

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