Empreendedorismo: tudo nas costas de um só



Se eu pudesse definir empreededorismo, definiria desta forma, porque antes de conseguir um sócio ou trabalhar com uma equipe, o que o empreendedor faz mesmo é carregar a sua vida nos seus ombros todos os dias. Ao contrário de quem tem um emprego formal e conta com todas as seguranças do mercado como fundo de garantia e seguro-desemprego, o empreendedor tem que estar disposto e motivado a levantar da cama todo o santo dia para trabalhar. Além disso, quanto mais pessoas começam a depender do trabalho daquele único ser, mais as costas do empreendedor ficam pesadas e ele tem que a cada dia se erguer mais e mais para, mais à frente, suportar mais responsabilidades.

Chega a parecer insano pensar que podíamos levar uma vida mais na média e eu já chegar a pensar nisso, mas de alguma forma a busca por prazer e fuga do medo que nos impele a sermos “melhores”, nos impulsiona a carregarmos mais peso nas costas que, apesar de doídas, começam a enxergar algum prazer nesta dor. Se o estimado leitor busca consolo nas próximas linhas para se tornar empreendedor e praticar o empreendedorismo, pode perder as esperanças, pois posso afirmar que para sair do seu emprego formal e constituir uma empresa, o empreendedor precisar acreditar demais na força que tem nas suas costas para poder suportar as intempéries da prática do empreendedorismo com a firmeza e a persistência que garantirão a sua sobrevivência e de outros que o cercam.

PESSOAL x PROFISSIONAL
Quando você trabalha em uma empresa em seu emprego formal, você pode contar com a compreensão do seu chefe e de seus colegas para com os seus problemas pessoais. Basta falar que você está tendo problemas com a sua filha adolescente e gastar 20 minutos na terapia do canto do cafezinho para se sentir compreendido por seus colegas e ter as expectativas da equipe em relação ao seu desempenho reduzidas pelos próximos dias. Já quando você é empreendedor e sustenta nas costas sua própria família, filhos e seus empregados, se vê na situação de ter apenas 30 minutos para refletir sobre todo o problema pessoal que está vivendo e voltar a se dedicar ao seu trabalho, pois outros dependem de você.



Não é que empregados não tenham uma família para se sustentar. A maioria das pessoas empregadas atualmente, se submete a se manter em um emprego que não traz nenhuma realização profissional ou pessoal para si, só por causa do sustento da sua família. Este texto é para quem hoje está empregado e sente no seu ímpeto uma potencial força para expressar-se praticando empreendedorismo e fazendo aquilo que ama. Esse “empreendedor em potencial” possui os pré-requisitos básicos para começar a caminhar sozinho com as suas próprias pernas e levar nas suas costas a sua casa, a sua família, seus filhos e seus demais empregados. Porém por causa do medo de dar mais um passo, não dá nenhum e se vê mais e mais frustrado.

PERCEPÇÃO DA FELICIDADE
Não é que praticar o empreendedorismo traga alguma felicidade, na realidade pode até mesmo gerar mais angústias que antes não havíamos percebido. Auto-controle, auto-conhecimento e esforço são alguns dos vários benefícios, porém o benefício maior está em aprender a trabalhar para os outros e só para os outros.

Não acredito que a maior parte dos empreendedores trabalhe para si, pois é muito fácil perceber que logo assim que começamos a empreender, uma reunião de pessoas fique ao nosso redor dependendo daquele nosso trabalho. A começar pelos clientes que dependem de que cada empreendedor realize o seu trabalho com excelência para que a vida profissional e pessoal deles seja afetada. Depois temos a família do empreendedor que depende exclusivamente da sua renda e em um outro nível a família dos empregados da empresa do empreendedor que dependem de que o cérebro do empreendedor se sustente psicologicamente saudável para que a sua família continue comendo, recebendo educação, saúde e podendo se vestir.

Com esta percepção de felicidade, enxergo que por mais que o empreendedor se encontre infeliz com a sua própria vida e com a sua maneira de ser internamente, pode encontrar a felicidade treinando-se a servir aos outros com mais excelência a cada dia.

CONCLUSÃO
Quando se toma a decisão de começar a empreender, é necessário que o empreendedor esteja atento a escolha do trabalho que a sua empresa está propondo a desempenhar, pois do contrário ele estará trocando uma ilusão por outra, ou apagando um fogo com uma chama, e continuará mergulhado cada vez mais na frustração, mesmo após ter deixado o emprego. Observar que o empreendedorismo é realmente carregar tudo nas costas e procurar evoluir cada vez mais no âmbito pessoal para aplicar-se e desenvolver-se com excelência no âmbito profissional é libertar-se da idéia de que algum dia haverá conforto para quem empreende, pois nunca há.

Das duas uma: se você tem no coração a chama do empreendedorismo e não empreende, se mantendo escondido atrás de uma baia ou do cubículo de algum escritório, tenha certeza que ao final da sua vida se frustrará consigo mesmo. Mas se você começou a empreender e as coisas não dão certo da primeira, segunda, terceira ou décima vez, tenha certeza de que não haverá frustração, mas realização por estar tentando de tudo para sair da inércia e viver dignamente como um verdadeiro empreendedor deve viver.