Sem margem para erros: a arte de empreender no fio da navalha



Empreender é uma arte.

Você aluga um ponto comercial, passa um mês fazendo reforma, pintando paredes, assentando piso e coloca um cartaz bem bonito na frente da loja para receber seus primeiros clientes no momento exato em que paga as primeiras despesas de aluguel, luz, água, contador, entre outras.


Publicidade

No dia seguinte a loja abre e ninguém entra.

Passa uma semana e você nota que três clientes entraram na loja, mas você não fez nenhuma venda.

Passa um mês e você sente que as coisas estão caminhando, mas com uma velocidade muito menor do que aquilo que você esperava.

A coisa fica ainda pior quando depois de três ou seis meses insistindo naquela ideia, você decide fechar as portas, assumir as dívidas e voltar para casa para encarar a sua família sem saber o que será de vocês no mês seguinte.

Um misto de culpa e falta de responsabilidade absorvem você que precisa tirar forças sabe lá da onde para acordar no dia seguinte e pensar em uma alternativa que possa reverter essa péssima situação.

E se você era um empregado estável de uma boa empresa e decidiu investir o valor da sua rescisão e parte das suas economias na ideia de negócio descrita acima, sua autoestima ficou ainda mais baixa, tornando quase impossível uma recuperação.


Publicidade

Depois de um fracasso, é normal que uma imensa quantidade de pensamentos negativos comece a encher a nossa cabeça e penetrar todo o nosso organismo quase que suplicando para que uma força divina acabe com essa agonia e nos coloque sete palmos abaixo da terra.

Entretanto, permitir essa enchente de emoções só cerra nossos olhos para a realidade: que empreender é uma arte e nós somos os pintores desta grande tela.

“Não se desespere em meio as aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda.” ~ Provérbio Chinês (Tweet Isso)

fio-da-navalha

3 passos para ser iniciado na arte de empreender no fio da navalha

Chega um momento da sua vida que você percebe o quão ruim é empreender no fio da navalha e no limite das suas reservas e das suas forças, mas aprender a arte requer que passemos por esta prova inicial.

Esta prova que permite o escorregão, mas não tolera a queda.

Com uma família de cinco pessoas, entendo perfeitamente a situação de pais e mães que sofrem por estarem esmagando o próprio poder dentro do peito em troca desta ou aquela benção do mercado.


Publicidade

Durante a maior parte da vida escutamos dos outros normas para nos adequarmos aquilo que está “certo” ao invés de sermos incitados a fazer dar certo aquilo que não nos adéqua ao mundo.

E por eu ter escolhido sempre a segunda opção, coloco abaixo minhas três estratégias para você se iniciar na arte de empreender no fio da navalha.

“Sou milionário do sonho” ~ Emicida (Tweet Isso)

sonhador

Assuma

Desligue o botão do “foda-se”. Sim. Desligue.

Esqueça essa história de deixa pra lá e assuma total responsabilidade sobre tudo o que acontece na sua vida e no seu negócio. Se você mantiver essa postura daqui para frente, nunca mais sofrerá diante de consequências desagradáveis como as que citei acima.

Ou seja, daqui para frente você irá estudar seus passos e se comprometer somente com aquilo que você pode se comprometer.

Você aprenderá a abrir uma empresa com o que tem disponível no bolso e no relógio e não vai mais acreditar que precisa investir alto se quiser ganhar alto, pois já aprendeu que a única maneira de ganhar alto é melhorando um pouco a vida de um número maior de pessoas.

Você também assumirá que é sua responsabilidade encontrar uma maneira de fazer o seu serviço e o seu trabalho chegar nas mãos das outras pessoas, trazendo para você a responsabilidade de ajudá-las para aí sim ser ajudado por elas.

Você nunca mais irá maldizer os concorrentes porque eles são os instrutores da sua empresa e do seu negócio.

Enfim, você se declara totalmente responsável por tudo que acontece com a sua vida.

“Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.” ~ George Bernard Shaw (Tweet Isso)

liberdade

Delegue

Você não é a última “bolacha do pacote”. Sim. Não é.

Esqueça essa história que só você sabe fazer algo bem feito e que ninguém é tão competente para fazer o que você faz. Se não existem mais pessoas tão “competentes” como você na sua empresa, você está sendo um péssimo líder e deixando escapar a oportunidade de mudar a sua vida e a vida de outras pessoas ganhando e distribuindo liberdade.

Ou seja, daqui para frente você vai olhar seus empregados, sócios e parceiros como companheiros de caminhada e não como peso da sua caminhada solo.

Você aprenderá a trabalhar em equipe e a motivar e incentivar os seus colaboradores para se juntarem a você nesta caminhada, ajudando-os no que estiver ao seu alcance para que eles também lhe ajudem a alcançar os seus objetivos que agora não são mais seus, mas de todos.

Você compreendeu que para se multiplicar é preciso gente boa, bem treinada, apaixonada pelo seu negócio da mesma forma que você para que todos cresçam juntos.

Você nunca mais irá maldizer seus funcionários porque sabe que eles são o alicerce da sua caminhada.

Enfim, você irá se declarar um líder que lidera pelo exemplo e não mais um chefe que pune e dá ordens.

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.” ~ Abraham Lincoln (Tweet Isso)

samurai

Corrija

Você não é o “dono da verdade”. Sim. Não é.

Esqueça isto de você ser o certo e o soberano, pois você não é. Você é apenas uma das 7 bilhões de pessoas que existem no mundo. Entendeu? Existem 7 bilhões de pessoas por aí que pensam diferente de você e que podem estar mais certas a respeito de uma teoria sobre a vida e sobre os negócios que você certamente já esteve. Logo, comece uma teoria já prevendo que talvez você possa estar errado.

Ou seja, daqui pra frente você não vai mais assumir como verdade tudo aquilo que pensa e imagina porque sabe que é uma ínfima parte de todo o conhecimento que há no mundo.

Você aprenderá a ouvir mais as pessoas, buscando compreender seus pensamentos e suas emoções com o propósito único de lapidar suas próprias teorias a respeito de algo. Quer saber o que um cliente ou funcionário pensa? Pergunte para eles e ouça sem erguer os punhos para contra atacá-los mentalmente.

Você compreendeu que para crescer você precisará de cada vez mais gente que pensa diferente de você, que vive uma outra vida e que tem desejos diferentes do seu. Essas pessoas é que tornarão sua visão de mundo mais clara.

Você nunca mais irá maldizer alguém por ter discordado da sua opinião porque agora sabe que tanto você como a outra pessoa podem estar erradas e certas ao mesmo tempo.

Enfim, você irá se declarar um espectador da vida para poder atuar no palco com presença e sabedoria.

“Você não precisa sofrer para saber o que é melhor para você” ~ Criolo (Tweet Isso)

Conclusão

A vida não é perigosa. Os jornais vendem isso pra gente porque isso vende para eles. Da mesma forma que empreender não é algo perigoso. É risco calculado.

Abandone um pouco aquilo que carrega e deixe o seu serviço transbordar de dentro para fora de você para que, ao enxergar o seu serviço, você estude e busque uma forma de fazer acontecer, de dar e receber.

Sonhos todos nós temos, mas são poucos os que acordam, despertados, para tornar esses sonhos realidade.

“Não troque a oportunidade de concretizar seus sonhos pelo desejo de continuar deitado sonhando.” ~ Marcos Rezende (Tweet Isso)


Publicidade