Como ser humano num mundo de heróis e abrir empresa sem sacrifícios



Sabe porque é melhor você não fazer nada do que se expor ao risco de falhar?

Porque você já sabe que vai falhar.



E não vai falhar porque você escolheu o pior nicho de mercado para trabalhar ou contratou as pessoas erradas. Tampouco porque o nome da sua empresa não atraiu a esperada atenção ou um cliente abriu um processo contra você.

Você irá falhar porque você não quer apenas atingir os objetivos que determinou para si, você quer ser um herói para a sua família, para a sociedade e para si mesmo.

O mito do herói

É incrível como nós tratamos o que é natural como algo extraordinário.

Valorizamos aquele que “pensa fora da caixa” não dando a devida atenção ao fato de estarmos dentro da caixa olhando para “o cara” lá fora.

Abotoamos características pessoais de forma justa na alma desde pequeninos torcendo para que um ou outro botão afrouxe e libere este ou aquele talento.

Nós ouvimos dos líderes que só com trabalho duro e muito esforço é possível atingir algum objetivo e ainda convivemos com o arquétipo daquele homem que morreu crucificado para livrar os nossos pecados.



Perseguimos os líderes e queremos ser eles.

Assim, somos esforçados em tudo o que fazemos e trabalhamos duro nos sacrificando na maioria das vezes em prol de alguma causa maior, como o bem estar dos nossos filhos ou o sonho de uma aposentadoria tranquila.

“A valorização do herói é mais uma armadilha da escravidão a qual nos submetemos.” ~ Marcos Rezende (Tweet Isso)

Estamos sempre insatisfeitos e preocupados com a próxima “cenoura” e não valorizamos um trabalho se ele não dá dinheiro suficiente para adquirir as coisas que nossos “heróis” conquistaram.

Construímos templos do consumo para separar os “debaixo” dos “de cima”, ostentando títulos e coisas para os “fracassados sonhadores” que perseguem aquilo que conquistamos.

Quando alguém inicia um processo de criação de empresa, geralmente não dá o devido valor aos primeiros reais que entram no negócio na etapa de validação de ideias e tampouco aos primeiros mil ou dois mil reais que entram no caixa da empresa quando ela começa a operar.

Afinal de contas, nós queremos ser um Bill Gates, Mark Zuckerberg ou os donos do próximo WhatsApp ou Angry Birds.

Para a “lojinha” que sustenta a nossa família não damos o devido crédito.

Nelson Mandela
Nelson Mandela

Heróis não existem

Quem foi Santos Dumont, Albert Einstein, Alexander Fleming, Henry Ford e Gandhi? Simples. Cada um deles foi apenas um homem que decidiu fazer aquilo que era mais natural para ele fazer.



Eles não tinham qualquer poder especial. Eles só ganharam mais visibilidade que o João da Silva do interior do Tocantins porque o trabalho deles atingiu um maior número de pessoas.

João da Silva também havia decidido fazer aquilo que era mais natural para ele e trabalhava como lutier‎ construindo e reparando violões e outros instrumentos de corda na sua cidade no interior do Tocantins.

Seu trabalho não lhe deu uma visibilidade nacional ou mundial, mas foi tão importante quanto o de qualquer outro ser humano, “herói” ou não.

Por quê então colocar todas as suas expectativas em ser alguém que você não é? Em se tornar um herói?

Apesar de saber desde criança qual era a minha vocação, fiz questão de deixá-la abotoada no início da minha carreira profissional para me tornar um “herói”.

Preferi enfrentar duas horas de trânsito para chegar a um emprego onde fazia um trabalho que não gostava porque isso demonstrava a minha fibra, persistência e esforço. O que também causava admiração na minha família e nos meus amigos, pois, como diziam eles, como eu poderia apostar o meu futuro desenvolvendo uma carreira que eu não fazia ideia de como rentabilizar? Era melhor me sacrificar se quisesse ter algum futuro.

Eu queria ganhar dinheiro estudando, escrevendo e criando negócios inovadores, mas não fazia ideia de como começar.

Foi com o tempo e com muito sofrimento que o “herói” pouco a pouco foi descendo dos céus para se tornar mais humano, enxergar que posição na sociedade ele precisava ocupar para se tornar mais um à serviço da Vontade e não um imperador das suas crenças.

Abandonei a causa de herói e virei humano.

“Busque o trabalho ao invés do sucesso e você sucederá” ~ Marcos Rezende (Tweet Isso)

Dar para receber

Esta regra é simples, mas ignorada pela maioria daqueles que querem empreender e ter sucesso à frente das suas empresas. Apesar de saber o que precisa ser feito e a atividade na qual tem que se dedicar, não agem porque não sabem como rentabilizar o seu trabalho.

Ao tornar-se mais humano e menos herói, você aproximará as suas expectativas do trabalho e não mais do sucesso.

Fazendo aquele trabalho que você sente ser para você todos os dias, você começa a pensar em como escalar a sua empresa, como faturar mais e como obter mais lucro, mas o foco está no seu trabalho e não no sucesso que poderá vir dele.

Entendo que pode ser um pouco complexo para você pensar sobre isso dessa forma, mas é por colocar as suas expectativas em se tornar um herói e ter sucesso que você se afasta daquilo que você deveria dar para se ocupar do pensamento em como você irá receber.

Tanto aqui no blog como no treinamento online, recebo e-mails de pessoas que gostariam de trabalhar com atividades que são apaixonadas, mas que permanecem inertes aguardando o florescer de uma boa ideia de negócio ou de uma luz sobre o seu propósito de vida, ao invés de colocar suas mãos à serviço.

Se você também está nessa situação, você precisa começar a fazer algo já.

Só quando começamos a fazer aquilo que sentimos como o natural para o nosso corpo, mente e espírito é que conseguimos ter experiências que nos mostrarão qual o caminho devemos seguir.

Quando eu comecei a escrever aqui no blog sete anos atrás, não fazia ideia de que iria transformar o meu conhecimento sobre como criar negócios e abrir empresas em treinamento ou que esse blog traria tantos resultados profissionais para mim.

Comecei a escrever contanto minhas experiências como empreendedor e meu ponto de vista acerca de vários assuntos como educação, carreira e dinheiro e logo apareceram pessoas elogiando o trabalho, tornando-se fãs e clientes.

Se não tivesse feito algo para dar antes de pensar no como receber, não teria saído do zero.

Abrir empresa é mais fácil do que você pensa

Criar um negócio só se tornou difícil para as pessoas que tem a alma empreendedora porque elas foram domesticadas desde pequenas a ser alguém que não era da sua natureza.
Woman working online
Daí elas tem que passar boa parte da vida adulta indo a terapeutas, psicólogos e investindo em treinamentos para tentar encontrar aquela pessoa que perdeu em frente ao espelho.

É possível transformar qualquer atividade em negócio, principalmente quando se gosta do que faz.

Ao invés de ficar pensando em como modelar o seu negócio, foque na atividade que você deseja empenhar colocando-se à serviço das outras pessoas sem se importar com o número de clientes ou com o valor pago por cada uma delas.

Muitos empreendedores começam fazendo algo de graça para entender como a mente dos seus consumidores funciona e qual problema real seu empreendimento resolve.

Conheço gente que adora cozinhar e abriu um restaurante depois de ter reunido pessoas em sua própria casa para provar das suas receitas. O empreendedor focou naquilo que ele gostava (cozinhar) e começou uma empresa dentro da própria casa rentabilizando o seu negócio enquanto juntava dinheiro para abrir um restaurante.

“Ganhar é uma questão de tempo, não uma questão de competição.” – Lao Tsé (Tweet Isso)

Enquanto você basear a sua vida no ideal do herói você irá sofrer percorrendo um caminho que não deveria percorrer para tentar demonstrar com o seu sofrimento que você é melhor que os outros.

Você não precisa ser melhor que ninguém. Você só precisa ser você mesmo.



24 Comentários

  1. Sinceramente poucas vezes li algo tão esclarecedor! Estamos tão acostumados a ler artigos e livros que no fundo dizem o mesmo do mesmo e que no fundo cultuam o herói e o sucesso aqui citados. Eu mesmo cresci lendo isso e tudo que faço é pensando no que vou ganhar ou o que as pessoas irão achar disso – o lado mais importante da coisa fica em último plano: EU! Hoje acordei conversando com o meu parceiro lá de cima para que ele me desse uma luz- acabei de encontra meu caro Marcos!

  2. é comum encontrarmos pessoas com uma paixão e elas se acharem incapazes porque não são tão boas naquilo que gostam pois gastaram o seu tempo naquilo que foram programadas pra fazer ao invés de aperfeiçoarem a sua paixão.
    Excelente post.

  3. Muito bom Marcos, e gostei demais dessa frase aqui:

    “Valorizamos aquele que “pensa fora da caixa” não dando a devida atenção ao fato de estarmos dentro da caixa olhando para “o cara” lá fora.”

    Nunca havia chegado nesse nível de reflexão, mesmo tentando sempre “pensar fora da caixa”.

    Um exemplo disso são uma campanha de e-mails do CEVIU (uma empresa de recrutamento na área de TI). Nesses e-mails eles estão utilizando a figura de grandes empreendedores (Bill Gates, Steve Jobs e outros) com a ideia de que você vai chegar lá através de um bom emprego. Toda vez que eu abro um novo e-mail (cada e-mail tem a figura de um empreendedor) eu fico olhando pra tela sem realmente entender essa “propaganda”.

    Eu acho que não tem a ver os empreendedores com uma empresa de recrutamento, afinal eles são os recrutadores, aí faria sentido (mas o e-mail que recebo é para os usuários que procuram empregos).

    Ontem eu estava pensando justamente sobre isso. Na mídia todas as pessoas que são ditas bem sucedidas têm o mesmo discurso, de que foi trabalhoso, sem dinheiro, mas depois conseguiram. Com isso eles encobrem que mesmo sem o dinheiro, aquela busca, por estar fazendo algo que se gosta era melhor do que voltar a condição anterior. E isso “enchia” a vida deles. Além do que, eles não precisavam comprar tudo o que nos influenciam a achar que precisamos.

    • A ideia central é que você pode realmente ficar muito rico à frente do seu empreendimento, mas só depois que você se encontrar no centro dele.

      Enquanto estivermos fora de nós, procurando por Steve Jobs, Mahatma Gandhis ou qualquer outro “herói” estaremos em fuga daquilo que é mais importante: nós mesmos e o nosso serviço.

  4. Sensacional.

    Também estava precisando de uma leitura dessa. Fico me cobrando por não ser um “herói” e acabei esquecendo o mais simples. Ser eu mesmo.

  5. Marcos, me senti extremamente impactado pelo seu texto. Na verdade, ele mexeu muito com algumas emoções dentro de mim. Não sei dizer ao certo com quais, pois acabei viajando junto com seu raciocínio.

    Assim como o Gabriel Oliveira citou, a frase “Valorizamos aquele que “pensa fora da caixa” não dando a devida atenção ao fato de estarmos dentro da caixa olhando para “o cara” lá fora.” me fez refletir sobre o quanto somos limitados, acredito que muito pelo nosso sistema de ensino e também pela cultura brasileira, e por vezes pensamos que estamos fora da caixa, mas restritos à opinião dos outros, à nossa não rejeição, à nossa necessidade de sermos aceitos pelos grupos da sociedade.

    Num livro que estou lendo, chamado “O Poder da Cabala”, o autor (Yehuda Berg) comenta acerca do quanto somos REATIVOS em nossas vidas e pouco PROATIVOS. Isso acaba impedindo que ajamos conforme nossas vontades, conforme aquilo que nós acreditamos que é o certo ou que somos apaixonados.

    Arrisco, ainda, dizer que o medo não existe caso olhemos apenas para dentro de nós mesmos. Esse sentimento é gerado pois temos receio de não conseguirmos atender às expectativas das pessoas que amamos ou que queremos chamar a atenção. Por que eu teria medo se eu estivesse preocupado apenas com a realização dos meus sonhos?

    Marcos, obrigado por ter iniciado essa reflexão em mim mesmo.

    Um abraço.

    • Excelente comentário Guilherme com excelente reflexão. O medo foi criado por nós, assim como tudo de “errado” que “existe”.

      Um dos apoios para esse texto, foi a minha leitura constante de “Wen-tzu – A Compreensão dos Mistérios” com ensinamentos de Lao Tsé.

      O caminho é pra dentro. Isso eu já sei.

      Obrigado por comentar.

  6. Texto altamente filosófico, Marcos. Aliás, como era de se esperar. Acredito que o culto ao herói venha da carência e da insegurança de cada um de nós. O herói passa a ser então a figura do poder extremo, da segurança extrema, a versão “mega” daquilo que nos falta. Então sonhamos ser heróis justamente para cobrir nossas inseguranças e nos aprisionamos nesta fuga. O trabalho justamente nos fortifica porque nos faz crescer no exato momento que colhemos nossos primeiros frutos. O amor próprio nos dá equilíbrio e força mental para o trabalho e para o amor ao próximo. Geramos assim um ciclo virtuoso. Eu acredito nisso! Obrigado, obrigado e obrigado.

  7. Marcos, foi muito boa a postagem que você fez. Concordo plenamente com o que você disse… e infelizmente sou um desses que sei que posso mas ainda não consegui começar…

    Abraços e sucesso!

  8. Marcos, parabéns!
    Estou a pouco tempo nessa área de “melhorar minha vida”, “encontrar o que, realmente, amo fazer”.
    Gosto muito de seus textos e faz todo sentido pra mim o que você escreve, pois encontrar o que realmente gostamos e não o que o senso comum diz ser o melhor é muito difícil e amargurante.
    Sempre almejei ajudar pessoas a crescer, mudar a mentalidade (muito prejudicada pela política de nosso país), mostrar que com o esforço podemos chegar onde queremos.
    Mas, contrapondo a tudo que escrevi no parágrafo acima, deixei-me levar pelo senso comum. Não quero dizer que isso foi ruim pra mim, pois fui aprovado em um dos melhores cargos que o concurso público pode oferecer no país. Quem vê de fora pode achar que estou ficando louco por isso, no entanto estou triste e me sentindo inútil por ir contra a tudo que sempre sonhei, que é ajudar pessoas.
    Muito obrigado, mais uma vez, por falar o que precisamos ouvir. Sei que vou encontrar o que procuro a um bom tempo e já comecei o principal ponto, que é o trabalho.
    Abraço!

  9. Gostei muito do artigo Marcos!
    Também estou neste processo de descobrir o trabalho que realmente gosto, e com esse pensamento deve me ajudar a encontrar. Obrigado!

  10. Cada dia que passa fica mais difícil largar o conforto do emprego para empreender. 🙁 Quem sabe um dia…

  11. Marcos bom dia! Adoro seus textos, parabéns! Eu adoro cantar, faço isso desde meus 15 anos, já abandonei meu emprego anterior como gerente de banco para seguir meu sonho entrando no Hopi Hari para atuar como cantor de shows e musicais, fiquei lá por 6 meses onde parecia estar realizado de tão legal que foi, porém, o salário era baixo e outro banco me chamou para trabalhar, como era recém casado decidi voltar p o banco ganhando mais, mas agora estou quase me consultando com um psicólogo rsrs. Como posso rentabilizar minha vocação que é cantar onde pelo menos iguale a minha renda atual? Me de algumas idéias por favor? Este ramo é meio ingrato

    • Olá Lucas. Mude primeiro o pensamento de que o ramo é ingrato. Você precisa valorizar melhor a sua hora de trabalho e para fazer isso precisa entregar um diferencial a mais para seus clientes (ouvintes).

      Um cantor de bar por exemplo, precisa, além de outras coisas, atrair mais público para o bar onde está. Logo, ter uma plataforma de clientes (no YouTube, SoundCloud, ou outros) pode garantir esse retorno.

      Curto muito essa plataforma e este artista. Dá uma olhada: http://dexterbritain.bandcamp.com/

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