O que fazer depois de uma falência



Sim, eu já fali. Não uma, duas ou três vezes. Fali várias vezes. Encare o termo falência aqui não somente pelo ato do fechar de portas de uma empresa, mas também por todas aqueles projetos que tentamos conquistar e falhamos. No texto de hoje compartilho com você minha última experiência de falência, falando sobre a crise que vivi naquela época e os passos que dei para corrigir o percurso da minha carreira e não deixar a peteca cair. Espero que essas reflexões possam ser úteis para você.

Quando falimos, não é o lado financeiro que fala mais alto. O acúmulo de dívidas são uma pequenina parte daquilo que realmente nos incomoda. É a finalização das relações com empregados, clientes, fornecedores e sócios que nos coloca para baixo. Lembro bem do que aconteceu na minha última experiência de falência… Clientes, bons clientes, começaram a reclamar do atendimento, funcionários a reclamar da pressão por causa do acúmulo de trabalho e sócios reclamando das suas responsabilidades. Todo esse conjunto de reclamações colocando para baixo a empresa gerando uma crise que culminou há mais ou menos um ano quando um desses clientes, com quem ainda me relaciono mesmo que de forma não tão próxima atualmente, disse que nossa relação estava virando fumaça por conta do estresse gerado no projeto que estávamos atendendo.

O passo-a-passo pós falência



Definitivamente nós não precisamos sofrer para entender o que é bom para nós, mas por distração nos envolvemos em situações que nos mostram, passos à frente, que não deveríamos ter seguido aquele caminho. Por isso, aproveitei o momento de crise para dar início a maior virada da vida em direção a minha visão de futuro. Fiz o seguinte:

  1. Admiti a crise e não fugi dela, mergulhei nela.
  2. Não pensei em dinheiro e sim no que era bom para as relações mesmo que precisava me desfazer delas.
  3. Reconstruí os meus objetivos com base no meu maior sonho para me manter vivo na retomada.
  4. Fiquei atento as tentações de oportunidades para não me distrair mais
  5. Procurei evidências de que era possível ter sucesso baseando-me nos exemplos de outras pessoas que conseguiram

Admita a crise

As pessoas, em sua maioria, têm uma tendência de fugir das suas crises pessoais e profissionais ao invés de encará-las de frente. Elas não sabem o poder que tem uma crise em nos mostrar de forma bem clara aquilo que não estava funcionando para nós. Quando algo dá errado e às vezes muito errado, temos  oportunidade de saber de forma bem nítida que não podemos deixar acontecer novamente aquele “algo”.

Não pense em dinheiro, pense em relações

Nossas relações são muito mais importantes que dinheiro. Se você precisar pagar dívidas, basta negociá-las no banco e trabalhar para pagá-las, mas se você perder a confiança de alguém porque persistiu investindo em uma relação que não dava mais certo não tem como se recuperar. Temos como tirar o nosso nome do SPC, mas não temos como recuperar a confiança de alguém. Quando perceber que a “coisa” está indo mal, saia da jogada. É melhor do que se envolver mais e criar mais expectativa que não poderá ser satisfeita.

Invista no seu maior sonho

Ao invés de partir para cima de objetivos pequenos e de pouca importância para a sua vida, dedique-se a um projeto impossível, ligado ao seu maior sonho e que te dá o maior tesão. Para se reconstruir do nada e sozinho, você vai precisar de muita fé em si mesmo para progredir e nada melhor para nos dar força e fé do que trabalhar naquilo que realmente acreditamos. Invista com tudo nesta experiência e transforme ela no seu maior negócio.

Não se distraia

Vão aparecer inúmeras oportunidades para você empreender e fazer algo para ganhar dinheiro que não tem a ver com o seu sonho. Aceitar estas propostas lhe tirarão o tesão e por mais que você ganhe algum dinheiro, sempre vai ficar aquela sensação de que está faltando alguma coisa. Me distraí quando passei por outras falências e só hoje compreendo o valor de não me distrair para me dedicar exclusivamente aquilo que quero.

Certifique-se que o impossível está na sua cabeça

Quando passei por esta última crise, há cerca de um ano atrás, decidi investir totalmente neste para torná-lo uma empresa lucrativa e hoje estou abrindo o CNPJ desta empresa. Passei cinco anos tocando o site como somente um site sem qualquer lucro até compreender na história de outras pessoas que era possível montar um negócio em torno de um blog, naquilo que mais gostava de fazer. Testei diversos modelos de negócio, investi tempo de estudo e trabalho, mas consegui após diversos testes e falhas construir algo que me alinha com o meu ser de forma inacreditável. Me sinto empoderado escrevendo artigos, produzindo cursos e soluções para meus clientes, o que reforça a minha fé neste projeto.



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Talvez o maior diferencial de quem passou pela falência de um negócio, seja a consciência de que o impossível não existe. Se você já passou por uma experiência de falência como a que tive, compartilhe com seu grupo de amigos ou aqui mesmo nos comentários o que fez para dar a volta por cima. Muitas pessoas ainda desistem na primeira vez que seus negócios fecham e o relato de experiências como essa podem ser essenciais para elas.

Persiste e foque em você.



20 Comentários

  1. Acompanho esse site de empreendedorismo há alguns meses, e sempre pensei que esta era a sua empresa mais viável. Existe esse nicho no Brasil e vc, com os seus talentos, deve apostar nele. Tenho vontade de fazer o curso “monte uma empresa do zero”, quanto custa?

    • Apenas uma observação: não sei a viabilidade financeira-logística disto, mas eu gostava quando o site tinha vários colunistas. Acredito também que os classificados poderiam voltar!

      • É difícil que outros colunistas escrevam com periodicidade, mas o site continua aberto a eles. Os classificados foram um modelo de negócio que não pegou e assim o Insistimento se torna mais um site voltado para educação. Sobre o curso, obtenha informações aqui negociodozero.com.br

  2. Aconteceu comigo.
    E para me distrair embarquei em um projeto que me dava dinheiro, tirava meu tempo, meus relacionamentos, trabalhei infeliz por mais de um ano. O dinheiro era bom, mas “consumia minha alma”…
    Até recuperar minha auto estima e recomeçar em um projeto que está me fazendo muito feliz. Não é fácil mas estamos no caminho certo. E o que salvou essa retomada foram os relacionamentos preservados com clientes, amigos e fornecedores.
    Obrigado Marcos por compartilhar sua experiencia e técnicas de INSISTIMENTO.

      • Mas e quando não fazemos ideia do que seria esse projeto que nos dá tesão? Aprendi aqui com o Marcos que é garantia de frustração futura começar um negócio pensando no rendimento. Mas como descobrir o que realmente me faz sentir na minha missão, quando não sei qual é ela?

        • Olá Gustavo. Basta observar os assuntos pelos quais não precisaria ser pago para trabalhar. Eu poderia falar sobre empreendedorismo e desenvolvimento pessoal por anos a fio sem receber nada em troca, mas criei um modelo de negócio que me permite viver desta paixão.

  3. Olá!
    Meu nome é Roger e trabalho junto de meu pai, irmão e irmã em uma empresa que esta com meu pai a quase 30 anos. Infelizmente hoje passamos pela pior crise de todos os tempos e não sabemos mais o que fazer para sair desta crise. Estamos com dificuldades em pagar nossos fornecedores e esta semana será a primeira vez destes quase 30 anos que não temos dinheiro em caixa para pagar o ale dos empregados.
    Estou ficando doente e ando muito amargurado em pensar que a qualquer momento poderemos fechar as portas.
    Diretamente hoje, nossa família depende dos rendimentos desta empresa, e pensar que se chegarmos a fechar, não sei de que rendimentos meu pai irá sobreviver.

    Carrego comigo um fardo que me consome por dentro. Não tenho ninguém para compartilhar o que sinto, porque na verdade não consigo conversar com as pessoas e expressar os meus sentimento.
    Estou sem saída, se souber de algo que possa me ajudar será de grande ajuda.
    Grato!

    • Roger, sem saber o ramo da empresa ou o que houve para vocês chegarem a esta situação, não tenho muito como lhe ajudar.

      Um amigo meu, do ramo da construção civil, ficou 20 dias com a empresa fechada e dezembro, o que fez acumular boletos para pagar sem que chegassem novas vendas.

      Em janeiro ele está passando por dificuldades, com o dinheiro muito curto, mas com a entrada do ano novo as vendas começaram a entrar e daqui a 10 dias tudo estará normalizado.

      A dica nesse caso, foi não se desesperar e investir em captar mais clientes para poder capitalizar a empresa.

      Se a sua empresa hoje só está pagando sem estar recebendo, tem um problema comercial grande que precisa ser resolvido com urgência.

      O ideal para uma empresa em crescimento, é ter o problema ao contrário do seu, muitas vendas e dificuldade na entrega que acaba se resolvendo com a contratação de mão de obra e investimentos na produção.

  4. Oi…
    Meu nome é Cristina. Meu marido e eu trabalhávamos em uma mesma empresa por 4 anos, ate que nossa chefe e amiga nos fez uma proposta de abrirmos uma loja em sociedade em outra cidade, e como esse era nosso sonho, nem pensamos, aceitamos logo de cara. Nos entregamos de alma e coração para a realização deste sonho, mudança de cidade, custo de vida muito mais alto, sem amigos, sem família e pouco dinheiro. Abrimos a loja em grande estilo, o senária parecia o melhor possível, mas… veio a crise e a cultura da cidade de prestigiar quem era da própria cidade… e as dificuldades só aumentado… sem vendas sem salários e com muitas dividas e funcionários para pagar. Minha sócia por sua vez com nossa saída da loja na qual éramos funcionários se precipitou e contratou 5 pessoas para nos substituir (muito trabalho e pessoas sem experiência) acabou deixando a desejar e os clientes dela foram sumindo e as vendas baixando… E sem vendas nas duas lojas a coisa foi se agravando, o dinheiro acabou… e as dividas só aumentado… Dois anos nessa luta e não querendo acreditar tivemos que tomar uma decisão muito difícil… Entregamos a loja para um comprador apenas pelas dividas… ele assumiu a loja pagando todas as dividas e nós saímos com uma mão na frente e outra atrás. Minha sócia continua com a loja dela, tentando se erguer… Meu marido mudou de profissão esta trabalhando em um ramo que ele também gostava… e eu…estou perdida não sei o que fazer, nem por onde começar ou melhor recomeçar…Minha vida toda trabalhei nesse mesmo seguimento, mas estou decepcionada e não quero mais trabalhar nisso… Me falam para pensar em algo que seja prazeroso, eu amava o que fazia, pense em um sonho, a loja era meu sonho… enfim, já admiti que fali, sei que preciso recomeçar tenho contas para pagar filho para ajudar a sustentar mas preciso de ajuda…alguém pode me ajudar?

  5. Olá, eu fiz uma troca e adquiri uma loja de utilidades e nessa troca mudei de cidade com apenas 4 meses de casamento e o antigo dono prometeu fazer compras de mercadorias ajudar em divulgação e a abrir uma outra loja aconteceu que isso ficou em palavras apenas, pela confiança, e aconteceu que ele não cumpriu e eu não sei o que fazer pois estou sem capital nenhum para investir o meu cnpj é novo não consigo empréstimo para investir por falta de mercadorias tive que começar a trabalhar fora e o que ganho não cobre todas as despesas minha esposa fica na loja para não termos gastos com funcionários, parece ser tão simples sair dessa situação mas ao mesmo tempo parece impossível não sei o que fazer pois a cada dia que passa as contas só aumentam ! … alguem pode me ajuudar !?

  6. Olá, eu e minha mãe estamos passado por uma grande crise também, temos uma escola de educação infantil há 6 anos, e apesar de muitos acharem que isto é uma “mina de ouro”, esta muito enganado. Minha mãe esta atualmente tocando a escola sozinha eu tive que sair para trabalhar fora para ter com o que nos sustentar, não temos lucro nenhum e tudo que entra sai para aluguel, despesas fixas e pagamento de funcionários, sem contar que já temos algumas pendencias em cartório e de impostos, nunca ficamos em uma situação destas…Não conseguimos empréstimos para tentar alavancar nosso caixa, não temos pra onde correr, colocamos a venda mais quando as pessoas veem que precisam investir desistem de compra-la. O pior que esta semana duas funcionárias pediram demissão e não temos nem como pagar a rescisão…Por favor se alguém puder nos dar uma ‘luz’ do que fazer ou nos ajudar….eu estou tentando recorrer para todo lado e não vejo saída a não ser fechar as portas…POR FAVOR ME AJUDEM! TO DESESPERADA! GRATA.

  7. Olá! Eu e meu noivo temos uma pizzaria pequena, numa cidade pequena. Tudo estava dando bem, vendas bombando e todo mundo elogiando a pizza e o atendimento. Porém de janeiro prá ca as vendas simplesmente sumiram, de 15 pedidos caiu para nenhum tem dia. O pior que meu noivo deve todo mundo, fornecedores, distribuidoras, supermercados, bancos, etc.. Estamos num poço, sem dinheiro até para comprar mercadoria para pizzaria. É triste, meu noivo está uma pilha de nervos, além de haver a ideia de fechar a pizzaria, surge a ideia de desistir de tudo, até do casamento. Eu não sei o que fazer, já não consigo dormir pensando nessa situação. Me ajudem!!

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