Qual é a razão de um negócio existir?



Já há algum tempo tenho pensado em como aproximar os serviços de coaching de classes sociais inferiores a classe alta e média brasileira, consumidoras de serviços de consultoria deste tipo. Porém, um outro questionamento se torna importante quando pensamos em prover serviços de uma forma mais democrática e distribuída, porque dando comida aos que tem fome, normalmente estes podem vender a própria comida para utilizar o dinheiro ganho em alguma atividade contraproducente. Evidentemente, meu desejo com o coaching é que mais e mais pessoas se tornem empreendedoras construindo negócios “ecologicamente” corretos. Porém, direcionar meus esforços para isso requer uma mudança de valores sociais que não sei até que ponto eu conseguiria evitar já que realmente são poucos aqueles que sabem quais são as razões do seu negócio existir.



ESCRAVIZAÇÃO EMPREENDEDORA
Tive uma conversa ontem com o meu sócio na Noxion, Vinicius Câmara, onde procuramos expor um para o outro a nossa visão de empreendedorismo ideal. Troquei idéias também com outros amigos e fui dormir com este problema na cabeça: “Será que as pessoas que empreendem estão sabendo o real motivo de tocarem seus negócios?” Noto que nos deixamos domesticar de uma maneira tão perfeita pelo sistema que pode ser que, ao entregar serviços de coaching a uma pessoa para que ela crie seu próprio negócio, esta, ao invés de empreender por motivos reais, o faça por motivos banais, ilusórios e temporários.

De fato, muitos donos de empresas são hoje empregados de seus próprios negócios. E não estou falando somente de quem possui uma média ou grande empresa não! O pequeno empresário ou aquele empreendedor autônomo, vendedor de plano de saúde ou até mesmo de bala no sinal de trânsito pode ser escravo de uma situação “permanente”. Assim, devemos encontrar uma maneira de sairmos dessa roda infinita porque dívida contraída ou a contrair escraviza pra valer.

MEGAEMPRESA ou MINIEMPRESA
Poderemos ter tanto sucesso em nossos negócios que nos tornaremos donos de multimilionárias companhias em pouco tempo, mas este não deve ser o nosso objetivo principal. A razão de um negócio existir deve, em primeiro lugar, promover a liberdade necessária para nós executarmos o trabalho que devemos executar diariamente em favor da sociedade. Soluções simples e voltadas a um nicho bastante pequeno podem ser as provedoras de benefícios financeiros grandiosos, porém, a satisfação pela troca de ajuda por liberdade deve ser o fator determinante do seu sucesso.

Na minha empresa, ambos os sócios divergem em inúmeras opiniões, mas mantém o mesmo objetivo em comum que vai além dos desejos da empresa como uma corporação. Nosso objetivo comum é o de passarmos mais tempo com nossas famílias, diminuindo substancialmente o tempo que investimos dentro da empresa com o passar dos meses. Planejamos que dentro de dois anos, nossa empresa gerará renda suficiente para dar conforto para nossas famílias e principalmente tempo suficiente para passarmos mais de 60% de cada semana servindo-os com a nossa atenção.

Neste mundo ideal, será possível que eu me dedique mais à experiência do projeto Insistimento utilizando a experiência obtida na Noxion como trampolim para criação de uma metodologia para geração de novos negócios baseados nos talentos inatos de cada ser humano em prol do serviço à humanidade.

Este é o meu propósito com o meu negócio. Você sabe o seu?