Visão do Empreendedor: Miguel Cavalcanti sobre o valor da persistência



“Quando resolvi trabalhar na AgriPoint, no finalzinho de 2001, recém-saído do curso de agronomia da ESALQ, aconteceram uma série de coisas engraçadas (pelo menos é como eu lembro disso hoje). Eu fiquei muito animado e empolgado com as possibilidades e perspectivas. Eu vi que era um negócio novo, que tinha muito a ver comigo (sempre gostei de pecuária e também gostei muito de internet, desde que tive o primeiro contato). Eu também via ali uma oportunidade de fazer um trabalho diferente, algo que ninguém nunca tinha feito.
 
Não era a melhor opção de salário e era mais arriscado. Se fosse fazer uma conta bem racional, estava escolhendo errado. Tinha oferta de emprego em uma empresa muito maior, que estava crescendo, onde iria ser gerente de marketing e me reportar diretamente ao dono, mas por mais que eu gostasse (e ainda gosto muito) de marketing, aquela possibilidade não me empolgava. Não parecia muito a ver comigo, com meus desejos e minhas idéias.
 
Outra coisa interessante foi que muita gente me aconselhou não fazer isso. Minha família, meus amigos, quase todos acharam muito estranho. Meu pai tentava me dar dicas e sugestões de empregos e cursos bacanas a fazer: “Por que você não faz um mestrado de melhoramento genético na Austrália?”, me perguntou certa vez. Por mais que achasse melhoramento de gado de corte interessante e tivesse muita vontade de conhecer a Austrália, aquilo não era meu sonho.
 
Um colega de república, alguns anos mais velho, e muito bem sucedido profissionalmente (trabalhava em uma grande multinacional americana) me falou em uma festa de casamento: “Pegue aqui meu cartão de visita e me envie seu currículo. Você é um cara bom e internet não paga almoço de ninguém”. Eu levei aquilo como um elogio. Agradeci e guardei o “cara bom” para mim.
 
O principal motivo foi pensar que aquele era o momento de arriscar, pois tinha muito pouco a perder. Solteiro, meu custo de vida era quase de estudante (muito baixo comparado com o de hoje) e, além disso, via uma grande oportunidade de aprender, de conhecer pessoas inteligentes, importantes e que faziam a pecuária. Acreditava – e continuo acreditando – que meu trabalho seria uma forma de melhorar o setor da economia brasileira que mais gostava. Antes de tomar essa decisão, uma das coisas que pensei foi relembrar as decisões que eu já tinha feito na vida, parecidas com aquela que estava tomando.
 
Lembrei que as mais legais que tinha realizado, foram coisas muito criticadas por várias pessoas. Algumas delas foram as decisões de ir morar em uma república na ESALQ e uma viagem de 20 e poucos dias, entre trens e albergues, pela costa oeste dos EUA. Conclui que as coisas mais arriscadas foram as que me deram maior satisfação e alegria. Também pensei que, se tudo desse errado, o custo era muito baixo e era muito novo para recomeçar. Com isso pensado, resolvi arriscar e seguir em frente!
 
Arrisquei e deu certo. Hoje estou aqui, muito animado com o começo de 2011. Vendo que posso fazer mais em relação a este meu sonho e ganhar com isso. Enfim, gastar minha vida em uma coisa que eu acho que vale realmente a pena.
 
Um abraço, feliz 2011 para você, escolha como você vai “gastar” seus dias e sua vida.”

Miguel Cavalcanti é fundador e sócio da AgriPoint, empresa de consultoria em agronegócio, tendo principal foco de atuação as cadeias produtivas do leite, carne bovina, ovinocaprinocultura e cafeicultura. Contrariando as expectativas da família e dos seus amigos no início de carreira, Miguel insistiu em levar o agronegócio para a internet montando quatro grandes portais de conteúdo e ainda oferecendo cursos online, eventos, palestras, pesquisas e estudos de mercado construindo uma empresa que hoje referência nesse mercado.

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